Impactos da Guerra na Ucrânia na Economia Brasileira: Desafios e Oportunidades


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a) Instabilidade nos preços de combustíveis e fertilizantes e o agronegócio brasileiro

A guerra na Ucrânia provocou forte alta e volatilidade nos preços de insumos essenciais como combustíveis e fertilizantes, o que pressionou os custos do agronegócio brasileiro. Desde o início do conflito, o preço mundial de adubos e fertilizantes subiu mais de 140%, tornando esses insumos muito

mais caros brasil61.com. Isso significa que os produtores rurais tiveram de pagar bem mais para adubar as lavouras, ou então usar menos fertilizante (arriscando menor produtividade). De fato, especialistas apontam que a safra 2022/23 foi “a mais cara da história” para plantar, devido ao encarecimento recorde dos insumos cnnbrasil.com.br. Muitos agricultores nunca tinham gastado tanto para semear suas culturas, o que reduziu as margens de lucro e exigiu planejamento muito mais cuidadoso na compra de insumos e na venda da produção brasil61.com.

Além dos fertilizantes, os combustíveis também dispararam. O preço internacional do petróleo aumentou cerca de 70% após o início do conflito brasil61.com. Embora o Brasil não importe petróleo russo, o efeito global elevou o preço interno dos combustíveis, especialmente do óleo diesel. Isso encarece o frete de alimentos e matérias-primas e, em cascata, aumenta os custos de produção e a inflação brasil61.com. Como o transporte rodoviário domina a logística brasileira, o diesel caro torna mais custoso escoar a safra e abastecer fazendas com insumos. Em resumo, esse choque duplo – fertilizante e combustível muito mais caros – reduziu a competitividade do agronegócio brasileiro, pois produzir ficou mais caro.

Produtores e governo tiveram de adotar medidas para mitigar esses impactos. O Brasil, que importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome (23% vêm tradicionalmente da Rússia), buscou fornecedores alternativos e manteve estoques emergenciais para evitar desabastecimento capitalnews.com.br capitalnews.com.br. Ainda assim, houve redução no consumo de adubos em aproximadamente 10% em 2022 diante dos preços altos, o que “comprimiu a margem do produtor agrícola” naquela safra milkpoint.com.br. Em outras palavras, mesmo com os preços internacionais dos grãos em alta (o que beneficiou as exportações brasileiras), os custos subiram em proporção semelhante, apertando os lucros dos agricultores brasileiros. Caso a guerra se prolongue, tanto o governo quanto o setor produtivo terão que “usar a criatividade” para suavizar esses impactos brasil61.com – seja via políticas de apoio, seja investindo em maior produção interna de fertilizantes ou eficiência no uso de insumos – para que o agronegócio recupere competitividade.

b) Efeitos das sanções econômicas à Rússia no comércio exterior do Brasil

As sanções ocidentais impostas à Rússia alteraram os fluxos do comércio internacional, e o Brasil acabou sendo influenciado de várias formas. Por não aderir às sanções, o Brasil manteve e até expandiu o comércio com os russos mesmo durante o conflito poder360.com.br. Muitas empresas russas, impedidas de vender para EUA e Europa, passaram a oferecer produtos com descontos e condições vantajosas a países dispostos a comprá-los poder360.com.br. Com isso, o Brasil aumentou significativamente algumas importações da Rússia, aproveitando a disponibilidade e preços mais baixos. Um exemplo claro é o diesel: em 2023, a Rússia ultrapassou os EUA e se tornou maior fornecedor de diesel para o Brasil, respondendo por cerca de 50% de todo diesel importado pelo país (os EUA ficaram com 24%) poder360.com.br. Ou seja, metade do diesel que o Brasil trouxe do exterior veio da Rússia, que precisou “escoar sua produção” de petróleo refinado para novos mercados devido aos embargos poder360.com.br.

Os fertilizantes são outro ponto de destaque. Mesmo com a guerra, a Rússia manteve o envio de fertilizantes ao Brasil, e houve um aumento das importações brasileiras desses insumos para garantir suprimentos cnnbrasil.com.br. No ápice do conflito, empresas brasileiras anteciparam compras e utilizaram subsidiárias de empresas russas em outros países para viabilizar transações, driblando dificuldades financeiras impostas pelas sanções cnnbrasil.com.br cnnbrasil.com.br. Graças a essas manobras, em 2022 as importações de fertilizantes russos pelo Brasil chegaram a crescer – evitando a falta do produto no mercado interno.

No comércio bilateral como um todo, verificou-se um aumento dos volumes. Em 2023, o intercâmbio comercial Brasil-Rússia atingiu um recorde de US$ 11,3 bilhões, superando pela primeira vez a meta de US$ 10 bi estabelecida pelos dois países gov.br. Esse crescimento se deve principalmente ao salto das importações brasileiras (combustíveis, fertilizantes, derivados de petróleo, trigo etc. provenientes da Rússia). As exportações do Brasil para a Rússia também continuaram, concentradas em produtos do agronegócio como soja, carnes e café. Inclusive, a Agência de Promoção de Exportações (ApexBrasil) identificou 231 oportunidades de exportação de produtos brasileiros para o mercado russo em meio a esse novo contexto, destacando setores como máquinas e equipamentos de transporte, alimentos (carnes, farelo de soja, frutas), materiais brutos (como celulose) e produtos químicos apexbrasil.com.br. Ou seja, com menos concorrência de fornecedores ocidentais na Rússia, empresas brasileiras de diversos ramos vislumbram chances de entrar ou expandir sua presença naquele mercado.

Em suma, as sanções à Rússia redirecionaram fluxos comerciais que beneficiaram parcialmente o Brasil: de um lado, facilitaram acesso a insumos baratos (por exemplo, combustíveis e fertilizantes russos), melhorando nossa balança de suprimentos; de outro, abriram espaço para exportadores brasileiros substituírem fornecedores banidos no mercado russo. Contudo, essas mesmas sanções exigiram adaptações logísticas e financeiras (pagamentos em outras moedas, uso de intermediários) para viabilizar o comércio sem infringir restrições internacionais.

c) Oportunidades econômicas geradas para o Brasil em decorrência do conflito

Apesar dos prejuízos e incertezas, o conflito Rússia-Ucrânia também criou algumas oportunidades para a economia brasileira, especialmente em setores do agronegócio e comércio exterior. Com a saída parcial da Rússia e da Ucrânia de certos mercados, o Brasil pôde preencher lacunas na oferta global de commodities. Um exemplo notável foi na exportação de grãos: tradicionalmente grandes fornecedores de milho e trigo, os dois países em guerra reduziram suas vendas externas devido aos combates e sanções. O Brasil “aproveitou o vazio” deixado por eles e aumentou as vendas de milho e trigo para suprir a demanda internacional canalrural.com.br. Em 2022, as exportações brasileiras de milho cresceram significativamente, e os embarques de trigo atingiram volumes recordes canalrural.com.br. Muitos destinos que dependiam dos grãos do Leste Europeu – como países da África e Oriente Médio – passaram a comprar do Brasil. Como resultado, a produção interna de trigo, por exemplo, deu um salto: em apenas quatro safras, o Brasil dobrou sua colheita de trigo, de cerca de 5 milhões para 10,6 milhões de toneladas na safra 2022/23 cnnbrasil.com.br. Esse aumento expressivo visou justamente aproveitar os preços elevados do cereal no mercado internacional e ganhar espaço como fornecedor confiável.

Conforme ressaltou Lucas Martins, assessor da Confederação da Agricultura (CNA), mesmo enfrentando custos mais altos de produção e inflação doméstica, o Brasil conseguiu “continuar alimentando o mundo inteiro” durante o conflito cnnbrasil.com.br. Muitos países que deixaram de conseguir comprar alimentos da Ucrânia ou da própria Rússia encontraram no Brasil um parceiro alternativo para garantir seu abastecimento cnnbrasil.com.br. Ou seja, consolidamos nossa imagem de celeiro global, expandindo mercados para nossos produtos agropecuários. Esse cenário contribuiu para um forte superávit na balança comercial brasileira em 2022, já que exportamos mais e por preços maiores (especialmente minerais, petróleo bruto e produtos agrícolas) brasil61.com.

Outra oportunidade advinda do conflito foi intensificar as relações comerciais com a própria Rússia em áreas não atingidas por sanções. Como mencionado, houve recorde no comércio bilateral em 2023 gov.br. Empresas brasileiras passaram a enxergar chance de vender para a Rússia itens que antes eram comprados de países agora ausentes daquele mercado. A ApexBrasil mapeou centenas de oportunidades, incluindo máquinas e equipamentos, componentes automotivos, alimentos processados e medicamentos, para ocupar espaço na Rússia apexbrasil.com.br. Esse potencial, se bem aproveitado, pode diversificar as exportações brasileiras e reduzir nossa dependência de alguns mercados tradicionais.

Por fim, a realocação de investimentos estrangeiros é uma possibilidade: a instabilidade na Europa Oriental levou alguns investidores a direcionarem recursos para economias emergentes consideradas mais estáveis. O Brasil, com um grande mercado interno e exportações em alta, chegou a ser apontado como destino momentâneo de parte desses capitais fugindo da guerra brasil61.com brasil61.com. Embora esse efeito seja difícil de mensurar com precisão, ele sugere um voto de confiança na resiliência econômica brasileira. Em resumo, a guerra criou um cenário de “perde e ganha” para o Brasil: perdemos em custo e volatilidade de insumos, mas ganhamos em fatia de mercado global para certos produtos e em possibilidade de novos negócios, cabendo ao país saber aproveitar essas brechas de forma estratégica e sustentável.

Tarifações Recentes dos EUA e seus Efeitos no Mercado Brasileiro


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a) Setores da economia brasileira mais afetados pelas novas tarifas dos EUA

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos incidiram principalmente sobre produtos de aço e alumínio do Brasil, afetando diretamente o setor siderúrgico e metalúrgico brasileiro. Em março de 2025, o governo norte-americano anunciou uma tarifa de 25% sobre as importações de aço e alumínio de vários países, sem exceção – incluindo o Brasil agenciagov.ebc.com.br. Com isso, as exportações brasileiras desses metais passaram a pagar um quarto a mais de imposto para entrar no mercado americano, reduzindo sua competitividade. O segmento mais impactado é o do aço, dado que o Brasil é um dos maiores fornecedores de aço para os EUA exame.com. Só em 2024, o Brasil foi o segundo maior exportador de aço aos Estados Unidos (atrás apenas do Canadá), vendendo aproximadamente 4 milhões de toneladas, o que representou cerca de 15,5% de todo o aço importado pelos norte-americanos naquele ano exame.com exame.com. Grande parte desse volume são produtos semiacabados de ferro e aço – placas e blocos – que as siderúrgicas americanas compram para laminar e transformar em produtos finais exame.com. Com a tarifa, essas vendas ficaram muito mais difíceis. Empresas brasileiras como ArcelorMittal, CSN e Ternium, que estão entre as principais exportadoras de aço para os EUA, tendem a ser as mais prejudicadas exame.com.

O setor de alumínio também sente os efeitos, embora em menor escala, já que o Brasil exporta menos alumínio para os EUA do que aço. Ainda assim, produtos de alumínio brasileiro agora enfrentam a mesma sobretaxa de 25%. Itens como lingotes, chapas e ligas de alumínio produzidos aqui encarecem ao entrar no mercado americano, podendo perder espaço para concorrentes de países não tarifados (ou produção interna dos EUA).

Indiretamente, outros segmentos relacionados podem ser afetados. Por exemplo, a cadeia de mineração e transformação de metais (que inclui a extração de minério de ferro e a produção de semiacabados) sofre com a redução da demanda externa. Da mesma forma, empresas fornecedoras de insumos e serviços para as siderúrgicas podem sentir os reflexos se houver corte de produção. Até o setor de etanol brasileiro foi citado com preocupação em análises, pois temia-se que eventuais retaliações pudessem envolver tarifas sobre nosso etanol exportado (ou, no contexto de uma guerra comercial mais ampla, os EUA poderiam dificultar importações de combustível renovável) band.uol.com.br. No entanto, o foco imediato das tarifas americanas esteve no aço e alumínio.

Em suma, os setores mais atingidos pelas tarifas dos EUA são aqueles ligados ao metal básico – especialmente a siderurgia do aço – por representarem uma fatia importante das exportações do Brasil para o mercado americano. Essa medida é vista pelo governo e pela indústria brasileira como “injustificável e equivocada”, já que penaliza um setor no qual o Brasil possui vantagens comparativas e relação comercial de longa data com os Estados Unidos agenciagov.ebc.com.br.

b) Influência das tarifas dos EUA na balança comercial entre Brasil e EUA

As tarifas americanas tendem a impactar negativamente a balança comercial Brasil-EUA do ponto de vista brasileiro, ampliando nosso déficit comercial com os Estados Unidos. Historicamente, o Brasil já registra saldo desfavorável no comércio bilateral: os EUA costumam exportar para nós mais do que importam. Em 2024, por exemplo, os EUA tiveram um superávit de US$ 7 bilhões em bens na troca com o Brasil agenciagov.ebc.com.br. Desde 2009, o acumulado de déficits brasileiros com os americanos chega perto de US$ 90 bilhões band.uol.com.br. Ou seja, compramos muito dos Estados Unidos (como máquinas, equipamentos, produtos químicos, combustíveis etc.) e vendemos relativamente menos (basicamente commodities e semimanufaturados).

Com a nova tarifação de 25% sobre nosso aço e alumínio, a tendência é esse desequilíbrio se acentuar. Isso porque as exportações brasileiras afetadas devem cair em volume e valor – torna-se mais difícil vender aço/alumínio aos EUA com o preço inflado pela tarifa. Menos exportação significa menos entrada de dólares por vendas, piorando o lado brasileiro da balança. Enquanto isso, as importações brasileiras de produtos dos EUA não foram atingidas por nenhuma medida adicional (o Brasil, até o momento, não retaliou). Então continuamos importando normalmente itens americanos, muitas vezes com tarifa baixa ou zero. Na prática, vamos importar praticamente o mesmo, porém exportar menos, ampliando o déficit.

Estimativas iniciais já mostravam essa influência: em janeiro de 2025, antes mesmo de as tarifas entrarem em vigor, o Brasil apresentou um déficit de US$ 230 milhões no comércio de bens com os EUA, em parte devido a queda no volume exportado naquele mês portalibre.fgv.br. Com o imposto de 25%, esperava-se uma redução ainda maior nas vendas de semiacabados de ferro e aço (produto de destaque na nossa pauta) nos meses seguintes. O próprio governo brasileiro destacou que a medida americana contraria o histórico de cooperação e lembrou que “a balança comercial é favorável aos Estados Unidos desde 2009”, argumentando que o Brasil não representa ameaça aos empregos industriais americanos band.uol.com.br. Ainda assim, se nada for feito, a barreira tarifária provavelmente levará a um menor fluxo de exportações brasileiras para os EUA, piorando o saldo para o Brasil.

Por outro lado, caso o Brasil viesse a retaliar ou negociar alguma compensação, isso poderia alterar cenários específicos. Por exemplo, se aplicássemos tarifas equivalentes sobre importações dos EUA, poderíamos reduzir um pouco as compras de lá, influenciando o denominador da balança. Entretanto, medidas retaliatórias também encareceriam produtos no mercado interno e poderiam desencadear uma guerra comercial, não sendo o caminho preferido inicialmente. O governo sinalizou optar por diálogo e recorrer a instâncias como a Organização Mundial do Comércio, em vez de retaliações imediatas agenciagov.ebc.com.br agenciagov.ebc.com.br.

Em resumo, no curto prazo a balança comercial Brasil-EUA tende a se agravar para o Brasil com essas tarifas. Exportadores brasileiros perdem espaço, enquanto continuamos importando dos americanos normalmente – aumentando o nosso déficit bilateral. Isso reforça a dependência brasileira de buscar soluções diplomáticas para reverter as tarifas e, internamente, de estratégias para reduzir a vulnerabilidade a esse tipo de choque nas relações comerciais.

c) Estratégias para mitigar os impactos das tarifas – o que os exportadores brasileiros podem fazer?

Diante do “tarifaço” dos EUA, os exportadores brasileiros e o governo vêm adotando algumas estratégias para amenizar os prejuízos e manter a competitividade. Uma das principais medidas é a diversificação de mercados: buscar novos destinos para os produtos afetados, diminuindo a dependência do mercado americano. Por exemplo, com a barreira no aço, as siderúrgicas brasileiras podem direcionar suas vendas de semiacabados para outros países que demandam esse insumo. Os Ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura já estão atuando para “buscar novos mercados diante do tarifaço dos Estados Unidos”, de acordo com reportagens nacionais band.uol.com.br. Isso inclui identificar oportunidades em países da Europa, Ásia, Oriente Médio e África, bem como fortalecer relações comerciais dentro da América Latina. Se os EUA compram menos aço do Brasil, talvez haja espaço em outros locais onde a qualidade/preço do nosso produto seja atrativa. Essa estratégia de “redirecionar exportações” requer esforços de promoção comercial – e a ApexBrasil tem organizado missões empresariais para regiões como a África e a Ásia exatamente com esse intuito de abrir mercado para produtos brasileiros tradicionalmente enviados aos EUA. Diversificar destinos reduz o impacto concentrado de qualquer tarifa específica e torna o país menos vulnerável a decisões unilaterais de um único parceiro comercial.

Outra frente fundamental é a negociação diplomática. O governo brasileiro, em conjunto com o setor privado, optou por um diálogo construtivo com Washington para tentar reverter ou flexibilizar as tarifas. O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, buscou contato imediato com autoridades americanas para negociar uma solução band.uol.com.br. A orientação do presidente Lula foi de negociar, e não retaliar de imediato agenciagov.ebc.com.br. Isso significa que os exportadores brasileiros estão apostando na via diplomática: apresentar dados que mostrem que o Brasil compra mais dos EUA do que vende (logo, nossas exportações não “prejudicam” a indústria americana), e talvez propor acordos setoriais. Essa estratégia já funcionou no passado para alguns países – por exemplo, em 2018 o Brasil conseguiu um regime de cotas em vez de tarifa cheia para o aço. Agora, novamente, discute-se buscar alguma exceção ou acordo que reduza a alíquota ou estabeleça um teto de exportação isento de tarifa. Paralelamente, o Brasil estuda acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC), questionando a legalidade dessas tarifas de segurança nacional impostas pelos EUA agenciagov.ebc.com.br. Embora o processo na OMC seja lento, a mera perspectiva de contenda jurídica pode incentivar uma solução negociada. Para os exportadores, essa atuação governamental é crucial – já que individualmente pouco podem fazer para remover a barreira, exceto pressionar por suporte diplomático.

No âmbito empresarial, as companhias também podem adotar ajustes. Melhorar a competitividade e agregar valor aos produtos é uma saída de médio prazo. Por exemplo, em vez de exportar somente aço bruto (semiacabado), algumas empresas podem investir em produtos mais elaborados (chapas, tubos, peças prontas), buscando nichos de mercado onde possam repassar parte do custo ou fugir de tarifas específicas. Além disso, diante da possibilidade de excesso de oferta de aço no mercado interno (que não for exportado), as siderúrgicas podem reduzir preços domésticos para movimentar os estoques, tornando-se mais competitivas aqui – isso beneficiaria indústrias consumidoras de aço no Brasil, como a automotiva e a construção, evitando a ociosidade total das usinas exame.com. No entanto, esse caminho tem o desafio da concorrência do aço chinês, que já ocupa espaço global; por isso, as empresas brasileiras terão de ser eficientes para não apenas trocar seis por meia dúzia (perder o mercado externo e não conseguir vender internamente).

Outra estratégia citada é buscar parceiros alternativos e acordos comerciais. A longa discussão para um acordo de livre-comércio Mercosul–Estados Unidos, por exemplo, poderia ganhar novo impulso se houver interesse de ambos os lados em evitar tarifas tão elevadas – embora seja algo complexo e de longo prazo. Mais imediato é aproveitar acordos já existentes ou em negociação (como Mercosul–União Europeia, Mercosul–Canadá, etc.) para ampliar exportações de produtos industriais brasileiros para outros destinos sem tarifas, compensando a perda nos EUA band.uol.com.br. Exportadores de produtos afetados também podem utilizar mecanismos do governo brasileiro de apoio às exportações, como drawback (isenção de impostos de insumos para exportar mais barato) e financiamento facilitado, para ganhar competitividade extra em novos mercados.

Em resumo, os exportadores brasileiros estão reagindo em três frentes principais: realocação de mercados (não “colocar todos os ovos” no mercado americano, e sim vender para outros países), atuação conjunta com o governo em negociações diplomáticas para remover ou reduzir barreiras, e ajustes internos de estratégia (desde melhorias de eficiência e valor agregado até direcionar vendas ao mercado interno temporariamente). Essa combinação de esforços visa reduzir o impacto das tarifas e proteger as empresas e empregos no Brasil. Embora os desafios sejam grandes, há também uma visão de que a crise pode forçar a indústria a explorar oportunidades antes negligenciadas e a se tornar mais resiliente a choques externos band.uol.com.br. Com inovação, busca de novos clientes e apoio governamental, os exportadores brasileiros esperam superar esse obstáculo comercial, minimizando perdas e, quem sabe, abrindo novas frentes de negócio mundial.

Fontes: Conjuntos de notícias e análises econômicas do Brasil 61 brasil61.com brasil61.com; CNN Brasil cnnbrasil.com.br; Canal Rural canalrural.com.br; Valor Econômico/MilkPoint milkpoint.com.br; Ministério das Relações Exteriores – Notas oficiais gov.br; Poder360 poder360.com.br poder360.com.br; Band/Jornal da Band band.uol.com.br band.uol.com.br; Agência Gov/Agência Brasil agenciagov.ebc.com.br agenciagov.ebc.com.br; Exame exame.com exame.com, entre outras.